segunda-feira, 22 de março de 2010

AS IGREJAS E A MÍDIA

No emaranhado de informações que se tornou o mundo moderno, todos acabam tendo opiniões, inclusive, sobre temas que desconhecem. Por isso, este artigo poderá mexer com o ego de indivíduos que naturalmente se sentirão insultados por terem suas opiniões confrontadas a seguir. - apesar de esta não ser a finalidade deste texto.

A maioria das Igrejas hoje, - seja ortodoxa, evangélica, católica e outras - tem demonstrado uma tendência apelativa no que diz respeito ao uso da mídia como aliada para suas difusões, apostando no que acredita ser a “força da mídia”, para divulgação de ideologia, doutrina, fé, quiçá heresias ou como queiram chamar.

Há pouco mais de uma década, várias igrejas no Brasil investiram, sem medir esforços, na aquisição de emissoras de rádio pelo País. Muitas delas, de maneira eficiente, chegaram a formar grandes redes de comunicação de rádio em cadeia nacional para retransmitirem sua programação - como é o caso da Rede Novo Tempo, Sistema Adventista de Comunicação, que na década de 90 acumulou mais de 20 emissoras no Brasil. Com essa façanha, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, expandiu a propagação de seus ensinamentos, conquistando mais adeptos para suas crenças.

Em virtude da facilidade de aquisição, baixo custo e, rapidez nas informações, o rádio acaba sendo o veículo mais eficiente em seu propósito, onde o ouvinte tem acesso rápido e fácil às informações além de poder interagir na programação. Talvez este, teria sido um, se não o principal motivo, dos investimentos feitos pelas Igrejas.

Embora, a vantagem apresentada em relação a outras mídias, parece-me - lamentavelmente - que o rádio vem perdendo seu espaço e glamour na preferência “dos pastores” que passaram a acreditar ser a TV o melhor meio de difusão ao rádio. Comprovadamente, a força do rádio tem sido desprezada por esses que se comportam como se o rádio fosse um veículo “jurássico” e em extinção - ideia essa, não compartilhada pelo seu público que cresce a cada dia.

Permita-me abrir estes parágrafos a parte:

Esse pensamento ou filosofia institucional disseminado entre os pastores evangélicos, é de certa maneira, contraditório aos ensinamentos de Jesus. A própria Bíblia Sagrada nos leva a crer assim.

É fácil perceber a importância dada pelo Senhor Jesus, não ao sentido visão, mas sim, ao sentido audição. Consideremos alguns textos sagrados:

“Ninguém jamais viu a Deus” diz João 1:18. Mas o fato de não O verem, em nada altera, nem anula sua grandeza. Ao ouvirmos falar de suas maravilhas, nossos corações se enchem de alegrias e expectativas que nos fazem refletir. Assim passamos a ter fé nEle. Isso é o que importa para Deus. A Fé! Sem ela nós não conseguiremos agrada-lO.

Nota-se que fé e felicidade não precisam de reforços visuais para serem estimuladas. O próprio Jesus demonstrou esse pensamento quando instruiu a Tomé: “Disse-lhes Jesus: Porque me viste creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (João 20:29).

Ao ser enviado a casa de Jessé para escolher o sucessor de seu rei, Samuel recebeu instruções de Deus para não se impressionar com o que veria, mas que ficasse atento a voz de Deus quando o escolhido fosse apresentado a ele: “Deus não vê como vê o homem”, (1 Samuel 16:07, Jó 10:04).

Mesmo que não o vejamos, “Deus é digno de honra e poder eternos”, (1 Timóteo, 6:16).

A Bíblia nos mostra claramente que Deus dá maior importância ao que se ouve e não ao que se vê: “Não atentando nós nas cousas que se veem, mas nas que se não veem, porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas”, instrui o apóstolo Paulo em sua segunda carta aos Coríntios, 4:18.

Os discípulos queriam ver Deus o Pai: “mostra-nos o pai” - pediu Filipe - e Jesus respondeu: “Quem vê a mim, vê o pai” (João 14:09). Ele seguiu os advertindo para crerem por suas obras e “palavras”, e demonstrou não haver necessidade de ver Deus o Pai, para crê-lo.

- Talvez os discípulos quisessem ver Jesus maquiado, apresentando um programa de TV, mas, Jesus os queria ouvintes. Ele poderia ter dito: “Ouça-me no rádio! São minhas palavras que causam efeito na vida de vocês e não minha aparência. Fiquem sintonizados comigo. Eu, o Diretor e Produtor Executivo de toda criação somos um. Hoje vou pregar na rádio da montanha onde ministrarei um sermão em alto e bom som que ecoará até os tempos finais”. É isso que nos basta: Ouvir a palavra de Deus.

Em fevereiro de 2008 fui honrado com um chamado do diretor da Rede Novo Tempo de Rádios, pastor Amilton Menezes, para trabalhar em sua equipe de ‘radialistas obreiros’. Este seria para mim um grande privilégio, falar do amor de Deus aos milhões de ouvintes da Rádio Novo Tempo. Além de ser considerado o anjo do Apocalipse 14: 6 e 7 eu estaria servindo ao Senhor com os talentos que me confiou.

Você deve estar pensando: “Anjo do Apocalipse?” Sim. Na entrevista para minha contratação – praxe nas empresas – o Presidente do Sistema Adventista de Comunicação, pastor administrador Marlon Lopes, deixou claro que para integrar a equipe de locutores da RNT não basta ser bom profissional, deve-se ter consciência que a obra de Deus está em primeiro lugar. Ele fundamentou sua tese lendo para mim o texto citado acima. Achei brilhante sua comparação! Pensei: Que responsabilidade, que maravilha ser parte integrante de uma profecia!

Excelente aplicação do presidente! Também creio ser esta uma verdade.

O texto em questão diz de um anjo do Senhor que voava no meio do céu e era o responsável pela pregação do evangelho eterno para o mundo inteiro. O anjo DIZIA em grande voz reivindicando a adoração ao Deus criador.

Note que o texto descreve os anjos de Apocalipse 14 executando a ação do verbo dizer: “dizendo”, “falando”, “bradando”. Há também o relato de um que saiu do santuário gritando bem alto (v.15). Impressionante! O relato não fala de holofotes, figurinos especiais para o evento, nem descreve cenários montados que retratam ilusão. A Obra de Deus dispensa encenações.

Gostaria de considerar os 5 sentidos do ser humano: AUDIÇÃO, VISÃO, OLFATO, PALADAR E TATO. Por eles temos contato com o mundo a nossa volta. Em determinadas situações, alguns sentidos tem maior importância do que outros.

O que comemos precisa ter paladar. Uma fragrância aciona nosso olfato. Ao caminhar pelas ruas, por exemplo, precisamos da visão e audição.

Para a produção da fé, a Bíblia ensina que devemos dar maior importância a um sentido em especial.

O
capítulo 11 do livro dos hebreus traz um elenco, de nomes importantes na trajetória do povo de Deus na Terra. É um capítulo conhecido pelos cristãos como “a galeria dos heróis da fé”.

Nele está comprovada a superioridade do poder da fé para salvação do homem. Interessante, a Bíblia menciona em Romanos 10:17, que a fé vem pelo OUVIR a palavra de Deus – este pode ser nosso texto chave. Nesse caso, a AUDIÇÃO é o único sentido que importa. Sem a fé não seremos salvos: “pela graça sois salvos mediante a fé” (Efésios 2:08).

Outro texto pertinente é o de Amós 8: 11, onde o próprio Deus afirma enviar nos últimos dias (profeticamente os dias atuais) fome e sede sobre a Terra. Fome não de pão, nem sede de água, mas, de OUVIR as palavras do senhor.

Poderia citar outros textos bíblicos que endossariam a importância da audição para produção da fé em Jesus Cristo, mas acredito ser estes o bastante.

É de admirar que um discurso frágil e mal elaborado, possa ser disseminado por pastores e igrejas, que defendem a superioridade da televisão. Este argumento seria mais bem aceito se originado de políticos que precisam recorrer a reforços visuais para mostrarem suas “feituras maquiadas” na TV, a fim de influenciar o eleitorado – que em sua maioria desliga o aparelho nesses horários. Ou pelos “milagreiros”, que buscam influenciar propensos fiéis, praticando milagres - questionáveis em sua maioria - em frente às câmeras.


Alexandre Teixeira
DRT 15.536

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