quinta-feira, 13 de maio de 2010

O PODER DA PALAVRA

A oratória é uma das mais fascinantes ambições dos variados tipos de liderança no mundo. Todos reconhecem o poder da palavra. Desde grupos radicais defensores de teses pra lá de esquisitas, até grandes oradores políticos ou idealistas que se prevalecem da retórica para difundir suas ideias e conquistar adeptos.


Na política, religião ou na fila do banco, quem fala bem sempre estará em evidência. Mas esta não é uma tarefa fácil. Para fazer bom discurso o orador deve, além de ser eloquente, conhecer o assunto a explanar e ter muita personalidade.

Além de boa porção de aptidão natural, – o que facilita muito as coisas – quem faz o uso da palavra deve estar sempre atualizado e atento à reação de sua plateia.

Mesmo não sendo adepto a sua política, quero citar como exemplo de boa oratória, a atuação do vereador Alex Neves na sessão ordinária da última segunda-feira, 10 de maio. Na ocasião os vereadores de Casimiro de Abreu deveriam tratar da aprovação para o aumento nos salários dos professores da rede municipal, e eleição do novo presidente daquela casa que assume em janeiro do ano que vem.

Talvez por questões políticas ou pessoais, o eloquente vereador que defendia sua tese legalmente fundamentada ou não – isto não vem ao caso – acabou por alcançar seu objetivo: A eleição para presidência da câmara.

Com postura confiante e boa fluência verbal, o vereador destacava-se por sua facilidade de apresentação sendo elogiado, inclusive, por seus desafetos políticos que estavam no “plenário externo”. Com discurso afinado, o vereador Alex Neves mantinha sobre si olhares e ouvidos de casimirenses expectantes a toda expressão por ele esboçada. “Contraditório”, ou “vereador de duplo discurso”, - como é chamado por alguns colegas de bancada – foi incisivo em seus argumentos. Ostentando uma assessoria jurídica bem preparada, Alex Neves desfilou em sua fala a intimidade que tem com a linguagem política.

Por outro lado, o presidente daquela casa de leis, vereador João Medeiros, que deveria manter a compostura na preleção, acabou por recorrer à gíria, sugerindo com ares de cinismo ao vereador, que devesse fazer uso de óleo de peroba.

Sem questionar a decência, ética ou compromisso com a causa pública, - neste caso refiro-me a causa dos professores - asseguro não estar enaltecendo ao vereador Alex Neves em sua postura política. Avaliar que ele usa a fala a seu favor é um exemplo do poder que a palavra tem de influenciar no resultado de uma discussão. Ao mesmo tempo penso na postura dos demais vereadores que notavelmente não defenderam com clareza suas ideias, - alguns não as defenderam de nenhum modo – e acabam sendo rotulados de “vaquinhas de presépio”.

Falar é preciso. A língua portuguesa tem cerca de 400 mil palavras. Fará muito bem aos vereadores de Casimiro de Abreu recorrer a pelo menos duas mil delas. Se não, o que caberá a câmara de Casimiro é o velho jargão: “na terra de cego quem tem um olho é rei” ou poderíamos plagiá-lo: “na terra de mudo quem grita mais alto, no mínimo, chama a atenção”.

É preciso destacar com louvor a participação dos professores. Mesmo sob o frio e sereno daquela noite permaneceram, - a maioria pelo lado de fora da câmara - e acompanharam toda discussão.

Em minha opinião, esta foi uma tremenda falta de respeito dos vereadores com a classe dos mestres casimirenses que estiveram ali, mas foram ignorados por eles. A tumultuada sessão acabou adiando a questão mais importante para se ater a uma espécie de picuinha político pessoal. E o anseio do povo mais uma vez é vitimado. - Mas esta já é outra história!

Alexandre Teixeira
DRT/MTB-RJ: 15. 536

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