O apresentador, que comanda um programa notavelmente sem produção, às vezes não tem o que dizer e começa… blá, blá, blá… Com nada de novidade, nada que acrescente ao engrandecimento da sociedade, só mesmo aquela velha e conhecida ladainha.
Além da falta de produção, soma-se a falta de ética profissional. Em um programa com duração de 3 horas, são gastos aproximadamente 50% desse tempo com críticas a apenas um determinado governo, o que deixaria de ser informação e passaria a ser perseguição.
Outro fato lamentável e vergonhoso para mim enquanto radialista e cidadão, ocorreu no ano passado (2009).
O programa, dito “jornalístico”, trazia em sua pauta de entrevistas, a decisão do prefeito do município de Casimiro de Abreu, em liberar as verbas a uma entidade da cidade, só após a devida prestação de contas.
Na bancada, convidados para falar sobre o assunto, estavam dois vereadores. Um deles, figura conhecida no cenário da política casimirense, que inclusive, já foi presidente da câmara, e agora parece ser sócio da emissora, dada a sua frequência por lá. O segundo era um estreante tímido que mal conseguia concatenar os pensamentos e se pronunciava com muita dificuldade, mas fazia muito bem o papel de coadjuvante.
Enfim, não quero aqui criticar a falta de experiência do vereador estreante, e nem destacar a habilidade do outro que já domina a arte da falácia. Vamos ao que realmente interessa:
Entre tantas críticas e cobranças feitas ao novo governo, que ainda está em seus primeiros meses de gestão, um ponto na entrevista me chamou a atenção, aliás, considerei bárbaro e de uma ingenuidade, ou esperteza sem precedentes. Gostaria de me ater a este ponto específico, que apesar de ter sido o cerne da questão, poderia ter sido o fim da entrevista, – caso o entrevistador fosse perspicaz, ou realmente imparcial como defende o ser.
No auge de seu pronunciamento, o vereador falastrão com voz alta, forte e irritante, “batia no peito” argumentando ter orgulho de ser parente chegado de um ex-prefeito aqui da cidade.
No alto de seu pedestal glorioso, o arrogante vereador lança no ar um discurso vazio e sentimentalista, onde afirmava que se o parente estivesse na prefeitura, teria resolvido a questão usando uma espécie de “principio do amor ao próximo” e liberado as verbas, mesmo sem ter sido feita a prestação de contas da entidade – o que é uma exigência legal- e depois se fosse o caso, seu parente próximo responderia a processos no Ministério Público com a consciência tranquila, acreditando ter tomado a decisão acertada. Este foi o ponto.
Neste momento parece-me que o vereador estava no ápice de seu delírio sentimentalista, embriagado em suas próprias palavras como se estivesse em uma campanha política, insinuando talvez sem perceber, ou não, que para se fazer um bom governo não é preciso observar as leis, mas seguir o que mandar o coração do governante. Esta foi uma manifestação de oposição nenhum pouco inteligente, – do ponto de vista ético.
Tentar manipular a opinião pública com um falso sentimentalismo foi o cúmulo da estupidez. Defender um absurdo desse chega a ser vergonhoso. Quero acreditar que nem todos os legisladores comungam com o raciocínio leviano de tal vereador.
O que ainda não consegui entender foi o fato de um legislador, -pois é o que deveria ser um vereador- defender a ideia de que a lei, pelo menos nesse caso, não precisaria ser cumprida, estimulando com isso a prevaricação, o que é legalmente crime e moralmente repugnante, principalmente vindo de um “fazedor de leis” que deveria não apenas ter um discurso, mas também atitudes exemplares fiscalizando e cobrando do executivo o cumprimento das leis.
Outro fato intrigante foi o de que nesta mesma emissora, no ano passado (2008), esse mesmo vereador era sabatinado por defender na câmara, uma proposta enviada pelo então “prefeito parente” para votação de incorporação salarial a apenas alguns servidores. E isso sem falar no caso de ele mesmo juntamente com a mesa diretora da câmara, conceder no final do mandato passado, um aumento absurdo nos salários dos vereadores, enquanto o funcionalismo público municipal lutava, sem sucesso, por reposição da perda salarial adquirida durante o outro governo, “parente”. O aumento nos vencimentos dos vereadores pode até ter sido legal, – como foi defendido por ele na ocasião- mas que foi imoral… Isso foi!
Não sei porque, mas eu tenho a estranha sensação de que se o prefeito que era o alvo das críticas tivesse decidido com o coração, -o que estava sendo sugerido por tal vereador- ele mesmo, teria entrado com processo no ministério público contra o prefeito, e possivelmente estaria na mesma emissora, no mesmo programa, no mesmo horário cobrando a observância da Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe também, o repasse de verbas para quaisquer entidades com pendências -por menor que sejam- na prestação de contas.
E imagino também que no ar estaria outra vez esse mesmo apresentador que às vezes nem tem o que dizer, mas continua com o mesmo… blá, blá, blá… Nada de novidade, nada que acrescentasse ao engrandecimento da sociedade, e aquela mesma velha ladainha. E certamente vibrando por ter a bancada um visitante para ajudá-lo a preencher às 3 horas de nada para “hablar”. Mas esta… Já é outra história.
DRT 15.536
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